Caxias do Sul

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Nota: Se procura outros significados de Caxias, consulte Caxias.

Município de Caxias do Sul
Vista de Caxias do Sul
"Pérola das Colônias"
Brasão de Caxias do Sul
Bandeira de Caxias do Sul
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário 20 de Junho
Fundação 20 de junho de 1890
Gentílico caxiense
Lema
Prefeito(a) José Ivo Sartori (PMDB)
Localização
Localização de Caxias do Sul
29° 10' 04" S 51° 10' 44" O29° 10' 04" S 51° 10' 44" O
Unidade federativa Rio Grande do Sul
Mesorregião Nordeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Caxias do Sul IBGE/2008 [1]
Região metropolitana
Municípios limítrofes oeste: Farroupilha, Flores da Cunha e São Marcos; norte: Campestre da Serra e Monte Alegre dos Campos; leste: São Francisco de Paula e Canela; sul: Gramado, Nova Petrópolis e Vale Real
Distância até a capital 125 quilômetros
Características geográficas
Área 1.643,913 km²
População 405.858 hab. est. IBGE/2008 [2]
Densidade 242,7 hab./km²
Altitude 817 metros
Clima subtropical Cfb
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,857 elevado PNUD/2000 [3]
PIB R$ 8.422.381 mil (BR: 34º) - IBGE/2005 [4]
PIB per capita R$ 20.838,00 IBGE/2005 [4]

Caxias do Sul é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Segundo pólo metal-mecânico do país e um dos maiores da América Latina - Mais de 6.500 indústrias fazem com que o município responda por cerca de 5,83% do PIB do Rio Grande do Sul.[4] Além disso, é terra de vinho e uva, contando com várias vinícolas.

Índice

[editar] História

Ver artigo principal: História de Caxias do Sul

[editar] Antecedentes

Antes da chegada dos imigrantes italianos a região era habitada por índios Caingangues, e daí vem sua denominação antiga de Campo dos Bugres, empregada registradamente até 1864. Por ali também passavam tropeiros em seus deslocamentos entre o sul do estado e o centro do país, e os jesuítas também tentaram fundar algumas reduções, embora sem sucesso.

[editar] Colonização

Na segunda metade do século XIX, em virtude da guerra de unificação italiana, aquele país europeu se encontrava em grave crise social e econômica, e os agricultores empobrecidos já não conseguiam garantir a subsistência. Nesta época o governo imperial do Brasil decidiu empreender a colonização de áreas desabitadas do sul do país, e resolveu-se incentivar a vinda de imigrantes da Itália, após o bom sucesso da iniciativa semelhante com o elemento germânico.

Assim, ao governo da Província coube definir as terras que seriam ocupadas, e em 1869 a escolha recaiu sobre a Encosta Superior do Nordeste, mais especificamente na área então conhecida como Fundos de Nova Palmira, região formada por terras devolutas, delimitadas pelos Campos de Cima da Serra ao norte e pela região dos vales, ao sul, de colonização alemã.

Em 1875 chegam os primeiros colonos, em sua grande parte oriundos da região do Vêneto, após enfrentarem a árdua travessia do Atlântico, que durava cerca de um mês, em navios superlotados e onde as mortes por doenças e más condições gerais eram comuns. Inicialmente os imigrantes aportavam no Rio de Janeiro, onde permaneciam em quarentena na Casa dos Imigrantes. Dali embarcavam em um vapor até o sul. Chegando em Porto Alegre eram encaminhados ao antigo Porto Guimarães, hoje o município de São Sebastião do Caí, ou para Montenegro e Rio Pardo, e dali subiam a serra a pé, em lombo de burros ou em carretas, atravessando a região ainda praticamente selvagem, até chegarem ao Campo dos Bugres.

Antes de receberem as terras prometidas pelo governo, o que geralmente demorava muito, as famílias eram instaladas em barracões, donde o epíteto Barracão também atribuído à pequena sede colonizadora. O Governo Imperial era responsável pelo transporte dos colonos e pela divisão e distribuição dos lotes com 63 hectares de área para cada família, pela abertura de estradas e concessão de ferramentas e sementes. Como os lotes de 63 hectares eram muito grandes, gradativamente foram reduzidos para 44, 30 e 25 hectares. Estes lotes eram reembolsados ao governo em prazos de 5 e 15 anos. Um ano depois já se encontravam no local cerca de dois mil colonos. Em 11 de abril de 1877, por determinação da Inspetoria Especial de Terras e Colonização da Província do Rio Grande do Sul, a denominação oficial passava a ser Colônia Caxias, em homenagem ao Duque de Caxias.

[editar] Desenvolvimento

Praça Dante Alighieri com a Catedral em 1899. Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
Comemorações de Ano Novo, 1899-1900. Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
Casa de pedra e madeira do fim do século XIX, um exemplar típico da arquitetura italiana da zona rural de Caxias do Sul

Em 1878 a Colônia Caxias já possuía 3.849 habitantes, a maioria deles agricultores. Apesar deste perfil, na sede concentravam-se algumas casas comerciais, especialmente as de secos e molhados, e pequenas fábricas como funilarias, carpintarias, marcenarias, olarias, ourivesarias, ferrarias, moinhos, selarias, sapatarias e alfaiatarias, que conferiam auto-suficiência à colônia emergente.

A partir de 1880 a colônia foi seccionada em três diferentes sedes: Caxias, Nova Milano e Nova Trento, e o povoado que abrigava a Diretoria da Colônia e a Comissão de Terras e Colonização passou a denominar-se Sede Dante ou Sede Principal. O crescimento econômico da colônia foi rápido e pode ser medido pelo expressivo número de casas de negócios: em 1878 se contavam apenas três estabelecimentos comerciais, mas em 1883 o número saltara para 93, com uma população já de 7.359 habitantes.

Em 12 de abril de 1884 a colônia foi anexada ao Município de São Sebastião do Caí como seu 5º distrito, e seu nome mudou para Freguesia de Santa Tereza de Caxias, definindo-a como unidade administrativa e como possuidora de uma paróquia própria, tendo-se desligado neste ato da paróquia de São João do Hortêncio, de Feliz.

[editar] Emancipação

No dia 20 de junho de 1890 o então distrito de São Sebastião do Caí foi emancipado, e passou a denominar-se Vila de Santa Tereza de Caxias, sendo instalada em 24 de agosto e, em 6 de novembro, tornando-se Comarca Judicial. Em 1895 as linhas do telégrafo já cruzavam a vila, retirando-a de seu isolamento, e em 1906 era inaugurada a primeira rede telefônica.

No dia 1 de junho de 1910 Caxias recebeu foros de cidade e neste mesmo dia chegava o primeiro trem, ligando a região à capital do Estado. Em 1913 foi instalada a iluminação elétrica.

[editar] Século XX

Vários ciclos econômicos marcaram a evolução do Município ao longo deste século. O primeiro deles foi a agricultura de subsistência, que se concentrou na produção de uva, vinho, trigo e milho, começando uma industrialização em nível doméstico. Todo o excedente era comercializado. Com o correr do tempo a indústria caseira se diversificou, acompanhando o crescimento da população, ampliando o leque de manufaturados até chegar ao vasto parque industrial que possui hoje. Mas foi através da uva e do vinho que Caxias se projetou no estado e no país, tornando-se o berço do turismo do estado quando, em 1931, lançou a maior festa municipal do sul: a Festa da Uva. Em 29 de dezembro de 1944 o nome do município recebeu o elemento indicador geográfico, conformando o apelativo Caxias do Sul que perdura até a atualidade.

Outras etnias, posteriormente aos italianos, também colaboraram, embora em menor grau, para a sua diversificação sócio-cultural e econômica, como os poloneses e alemães, e com o progresso econômico o município passou a atrair migrantes de outros pontos do estado e mesmo do restante do Brasil, tornando-se o principal centro urbano da região, sede da Aglomeração Urbana do Nordeste. Essa população serviu como mão-de-obra para o desenvolvimento da indústria do município, que então se tornou uma das mais dinâmicas do país, mas também foi o detonador do aparecimento de novos desafios para a administração pública, especialmente nas áreas de habitação, educação, segurança, transporte e emprego, meio ambiente e cultura, que caracterizam todas as grandes cidades do Brasil moderno.

Da fragmentação da antiga Colônia Caxias nasceram os atuais municípios Flores da Cunha, Farroupilha e São Marcos. O município é também conhecida como a Pérola das Colônias, e recebeu o título de Capital da Cultura 2008.

Panorâmica de Caxias do Sul vista a partir do morro da Festa da Uva.

[editar] Geografia

[editar] Clima

O clima de Caxias do Sul é temperado (Cfb), com verões amenos e invernos relativamente frios, com geadas freqüentes, muitas de forte intensidade, e nevadas ocasionais. Em quase todos os anos a neve se faz presente, embora em quantidades geralmente muito pequenas. Porém, precipitações abundantes de neve, com acumulações consideráveis no solo, já foram vistas em várias ocasiões.

A temperatura média anual do município é de 16,5°C. O mês mais quente é janeiro, com média de 21°C, enquanto o mês mais frio é julho, com média de 12°C. Quanto às precipitações, a média climatológica anual é de 1.915mm, estando o município na área mais chuvosa do estado do Rio Grande do Sul. As precipitações são regularmente distribuídas durante o ano. O mês mais chuvoso é março, com média de 206mm, e o mês menos chuvoso é o de maio, com média de 109mm[5].

Em anos recentes, as nevadas mais significativas em Caxias do Sul, ocorreram em 1990, 1994, 1999, 2000, e 2006. No ano 2000, a temperatura mínima chegou a -4,4°C, sendo uma das mais baixas dos últimos anos. Entretanto, temperaturas ainda mais baixas do que essa foram registradas diversas vezes no passado, sendo que em todos os anos, a cidade, registra nos meses de outono e inverno, numerosas geadas e vários dias com temperaturas mínimas negativas ou próximas de zero, e máximas que, muitas vezes, podem ser menores que 10°C.

[editar] Relevo

Localizada na região fisiográfica do Rio Grande do Sul denominada Encosta Superior do Nordeste, Caxias do Sul se caracteriza por um terreno alto e acidentado, recortado por diversos rios e arroios que formam estreitos vales. As altitudes variam de 300 a 600 m nos vales, chegando até a 800 m no limite com o planalto dos Campos de Cima da Serra. A sede do município está assentada no divisor de águas entre as bacias dos rios Caí e Taquari-Antas.

[editar] Vegetação

Mata de araucária no interior de Caxias do Sul

O município de Caxias do Sul está situado dentro do Bioma da Mata Atlântica, sua vegetação predominante[6], ocorrente nos locais com altitude superior a 500 metros, era a floresta ombrófila mista, conhecida como mata de araucárias, intercalada pela floresta estacional decidual, sem ocorrência de araucárias, nos locais de menor altitude. A leste, devido aos solos de pouca profundidade, predomina a vegetação rasteira, no que se denomina Campos de Cima da Serra. Atualmente, a paisagem encontra-se alterada, devido ao avanço das fronteiras agrícolas, à urbanização e à industrialização, havendo grande redução da presença da araucária (pinheiro brasileiro). Os principais remanescentes de vegetação nativa em Caxias do Sul encontram-se nas escostas dos vales.

[editar] Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande

A Lei Complementar Estadual 10.335/94 criou a Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande do Sul, uma vez que a área se caracteriza como o embrião de uma futura região metropolitana. A Aglomeração Urbana do Nordeste (ou de Caxias do Sul) é composta pelos municípios de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Santa Tereza e São Marcos. Perfaz uma população aproximada de 715 mil habitantes.

[editar] Meio ambiente

A Prefeitura Municipal mantém uma Secretaria do Meio Ambiente, responsável por ações de preservação e manejo dos recursos naturais. Dentre suas atividades se contam programas de licenciamento, fiscalização e educação ambiental. Nestes últimos se incluem os programas Plante uma Árvore, Repovoamento da Araucária, Balneários e Campings e uma série de Conferências do Meio Ambiente. Além disso o poder público organiza promoções como o Calendário Ecológico, a Olimpíada Ambiental, a Semana do Meio Ambiente e outras, para desenvolver a consciência ecológica nos cidadãos, e mantém um Jardim Botânico, além de diversos parques e praças no perímetro urbano[12].

[editar] Divisão Administrativa

Mapa dos Distritos de Caxias do Sul

Caxias do Sul, além de sua sede, possui seis distritos: Criúva, Fazenda Souza, Santa Lúcia da Piaí, Vila Cristina, Vila Seca e Vila Oliva, o 1º Distrito, com comunidades agrupadas perto da sede, e mais as quatro Regiões Administrativas de Ana Rech, Desvio Rizzo, Forqueta e Galópolis.

A Prefeitura Municipal se divide no Gabinete do Prefeito, o Gabinete do Vice-Prefeito, 19 Secretarias, a Coordenação de Comunicação, a Coordenadoria Distrital e 23 Conselhos Municipais.

[editar] Tradições

Apesar do crescimento populacional e industrial, o passado da imigração não foi esquecido. Há festividades e passeios tradicionais que apresentam a colonização italiana, o processo de produção do vinho, os parreirais e todos os detalhes de uma história.

[editar] Culinária

O galeto al primo canto, prato típico regional, é o frango assado acompanhado de massa com molho de miúdos, polenta frita, saladas de batata com maionese e de radicci com bacon, e a tradicional e única sopa de agnolini. Outros pratos tradicionais do município são o tortéi, trouxinhas de massa recheadas com abóbora temperada com noz-moscada, cozidas na água e servidas com molho de tomate e miúdos; o codeguim (espécie de morcela) e o salame, embutidos feitos respectivamente de sangue e de carne de porco, e o gnocchi, bolinhos pequenos de massa de batata e farinha de trigo cozidos na água e servidos com molho de tomate. Queijos, massas, pães e vinhos de vários tipos ainda são muito consumidos e antigamente, quando a caça ainda era uma prática comum, era muito apreciada a passarinhada, só com aves selvagens pequenas de várias espécies.

[editar] Festa da Uva

Ver artigo principal: Festa da Uva

Importante também é a Festa da Uva, realizada de dois em dois anos em um parque próprio onde são expostos os produtos da região, desde manufaturas e alimentos até maquinaria pesada e automotores, com desfiles de carros alegóricos pelas ruas do município e diversas outras atrações paralelas em diversos locais. No parque existe uma réplica de uma pequena parte da antiga colônia italiana, com suas rústicas casas de madeira e uma igrejinha, de grande interesse histórico e turístico. A Festa da Uva foi o tema da primeira transmissão em cores da TV brasileira, em reportagem de 19 de fevereiro de 1972.

[editar] Língua

Em Caxias do Sul, além do português também ainda se fala, especialmente entre os mais velhos, um dialeto derivado da língua vêneta ou seja, o dialeto vêneto rio-grandense, chamado por muitos de talian. Este dialeto é encontrado no sul do Brasil e na serra espírito-santense (compare-se com o dialeto hunsrückisch do idioma alemão, falado em regiões vizinhas e outras partes do sul do Brasil).

[editar] Infraestrutura

O município é uma das mais desenvolvidas do estado do RS e também do Brasil, com um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,857 [7].

[editar] Serviços

Praça Dante Alighieri, no centro do município, vendo-se a Catedral ao fundo

A rede de iluminação pública do município é proporcionalmente a melhor do Brasil, com 37 mil pontos; possui várias agências postais; 99,3% da malha urbana tem água encanada e tratada e rede de esgoto; a limpeza urbana é organizada num sistema de coleta seletiva de lixo, com usinas de reciclagem, sendo a única no Brasil a utilizar containers de armazenagem. Com isso Caxias do Sul tem a melhor reciclagem do país, a melhor coleta de lixo e o 2º melhor aterro sanitário perdendo apenas para a cidade de Santos, a cidade pretende ainda nos próximos anos construir um aterro sanitário, com tecnologia ultra moderna, com capacidade para no mínimo 50 anos [8].

A cidade conta com uma grande rede hoteleira composta de 43 estabelecimentos, além de mais de 250 restaurantes e mais de 500 bares/lancherias e similares. Todos os Clubes de Serviço estão representados no município [9].

A frota urbana tem cerca de um veículo para cada três pessoas, assim distribuídos: 1.048 ônibus, 109.050 automóveis, 6.195 caminhões, 11.138 motocicletas, totalizando 127.431 unidades. A imprensa local compreende um jornal diário, três semanários, um quinzenal, cinco mensais e diversas outras publicações segmentadas com periodicidade variada, cinco emissoras de rádio AM e cinco FM, dois canais abertos de TV e três TVs a cabo [10].

A rede bancária tem agências de diversos bancos de porte, o comércio é diversificado e atende a demandas de qualquer natureza, e a telefonia dispõe de todos os recursos mais avançados no setor [11].

[editar] Saúde

O município é bem servida de entidades assistenciais. A Saúde Pública é o primeiro orçamento do município, e atende a 39 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), uma unidade do SAMU (duas ambulâncias de remoção e uma UTI móvel), um Centro Especializado de Saúde (CES), um Hemocentro (Hemocs), três Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), uma unidade do Cais Mental e um Residencial Terapêutico [12].

Há oito hospitais: Pompéia, Geral e Paulo Guedes, (conveniados com o SUS), Saúde, Medianeira, Unimed, Fátima e Del Mese, e inúmeros laboratórios, ambulatórios, contando com 1.419 leitos no total. A expectativa de vida é de 74,1 anos e a mortalidade infantil ronda os 12,89 óbitos por mil habitantes [13].

Sede da Faculdade dos Imigrantes, no edifício da antiga Metalúrgica Abramo Eberle

[editar] Educação

A Educação é o segundo maior orçamento do município, e contam-se 184 escolas, com uma taxa de analfabetismo de apenas 3,6% da população. Existem também duas universidades e diversas faculdades, escolas técnicas e profissionalizantes autônomas, citando-se em primeiro lugar a Universidade de Caxias do Sul (UCS), com aproximadamente 37 mil alunos (a maior do RS em número de alunos), dispondo de modernas instalações em um grande campus, a Faculdade da Serra Gaúcha, a Faculdade de Tecnologia TecBrasil (FTEC), a Universidade Estadual do RS (UERGS), a Faculdade Fátima, ligada ao grupo de saúde homônimo, a Faculdade dos Imigrantes, várias escolas do SENAI, escolas estaduais, escolas particulares e muitas outras instituições de ensino [14].

[editar] Economia

A Economia de Caxias do Sul desenvolveu-se a partir da cultura da uva, que para ser transformada em vinho necessitava ser processada na própria região, isso propiciou que as industrias madeireiras e metal-mecanica (que fornecem tecnolocia para esse processamento e armazenamento), se instalassem rapidamente na região. Hoje Caxias do Sul é o segundo Pólo Metal-mecânico do Brasil e está situada em situação privilegiada, no centro do MERCOSUL, distante 120Km da capital do estado. Pode-se dizer que a metrópole serrana tem, num raio de 50 km, um dos parques industriais mais diversificados do mundo, fabricando do talher ao ônibus, da luminária ao caminhão. O município tem um total de 29.032 empresas, com 127.182 empregos formais. Caxias do Sul, entre 2000 e 2004, foi a sexta colocada em geração de empregos no país. Em 2006 foram criados 7.700 novos empregos formais. Já entre maio de 2007 e abril de 2008, esse crescimento foi de 9,64%, que corresponde um valor nominal de 12.828 novas vagas [15].

Onibus Paradiso GVI 1800 Double-Decker produzido pela Marcopolo, uma das maiores empresas caxienses

A Administração Pública também investe pesadamente em uma multipliciade de programas de fomento econômico, dentre eles os Programas de Economia Solidária, os Arranjos Produtivos Locais (APLs), as Associações de Recicladores, o Pólo da Informática, o Pólo da Moda, o Pólo Metal-mecânico, a Certificadora de Gás Natural, a Associação de Garantia de Crédito da Serra Gaúcha (AGC), a Instituição Comunitária de Crédito (ICC – Banco do Povo) e um sem número de Projetos, Convênios, Programas e Termos de Parceria com as mais variadas entidades públicas e privadas. O PIB per capita em 2005 foi de R$ 20.838,00, e o PIB total do município neste ano alcançou os R$ 8.422.381.000,0,[4], estando então incluida na lista das cinquenta cidades com maior PIB do Brasil.

Apesar de o setor agropecuário contar com apenas 7,5% da população economicamente ativa, a prefeitura mantém programas para incentivo à produção rural e à fixação do trabalhador no campo, e o município pode se orgulhar de ser o maior centro de produção de horti-fruti-granjeiros e o maior PIB agrícola do estado [16].

No final do 1º semetre de 2008, a CIC [13] (Câmara de Indústria, Comércio e Serviços) de Caxias do Sul, divulgou números do desempenho da economia. Esses mostram o crescimento econômico gerado pelo aquecimento do mercado interno.

Ano Desempenho
2004 14,7
2005 0,8
2006 4,5
2007 10,9
2008 11,7 (janeiro a abril)

[editar] Segurança pública

Em termos de proteção contra incêndios, conta o município com quatro postos de Bombeiros, com efetivo de 93 homens e 5 mulheres.

Há uma Delegacia Regional de Polícia, 03 Delegacias Distritais, 01 Delegacia para a Mulher, 01 Delegacia para a Criança e o Adolescente, 01 Delegacia de Trânsito, 01 Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas e 02 Delegacias de Pronto Atendimento, totalizando 10 Delegacias com aproximadamente 141 policiais.

Há, também, uma bem equipada e eficiente Guarda Municipal, com aproximadamente 180 membros. A Regional da Delegacia de Polícia Federal, que atende 54 municípios da região, conta com efetivo de 35 funcionários.

Paisagem típica do roteiro turístico Caminhos da Colônia, com um parreiral ainda cultivado na forma tradicional

A Polícia Rodoviária Federal está presente através de sua 5ª Delegacia, com efetivo de 41 patrulheiros, e as Forças Armadas são representadas pelo 3º Grupo de Artilharia Antiaérea, com efetivo de 350 militares [17].

[editar] Turismo, esporte e lazer

O turismo em Caxias do Sul, à parte a tradicional Festa da Uva, que atrai milhares de visitantes, foi relativamente pouco explorado, mas nos últimos tempos está ocorrendo um crescimento na atenção a este setor, explorando as belezas naturais da região, a culinária típica local e principalmente os lugares e edificações ligados à história da colonização, como os roteiros Caminhos da Colônia, Estrada do Imigrante e Ana Rech, onde o visitante conhece a história enquanto tem a oportunidade de saborear quitutes tradicionais e apreciar paisagens características.

No esporte destacam-se os dois clubes de futebol profissional, que dividem a preferência dos torcedores e levam o nome de Caxias do Sul pelo Brasil e até pelo exterior: a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, sediada no Estádio Francisco Stédile, e o Esporte Clube Juventude, com seu Estádio Alfredo Jaconi. Infelizmente essas equipes não contam com muito apoio dos caxienses, que preferem torcer pela dupla Gre-Nal. Na última pesquisa realizada em 2008 na cidade, foi constatado que 89% dos caxienses torcem pela dupla, apenas 5% torcem por Caxias ou Juventude. 6% não torcem para nenhum time. O lazer também é bem servido, com diversos cinemas, parques, clubes e associações para convívio social, museus e centros culturais.

[editar] Transporte público

Caxias do Sul possui uma extensa rede de linhas urbanas de ônibus, operadas pela Viação Santa Tereza (VISATE) com 300 veículos. O preço atual da tarifa é de R$ 2,20 e conta com bilhetagem eletrônica, onde o usuário pode tomar duas conduções pagando apenas uma passagem.

A cidade também possui linhas interurbanas gerenciadas pelo METROPLAN, órgão do governo gaúcho. Estas linhas são operadas pela Danytur (para Flores da Cunha e Farroupilha), Ozelame (para Farroupilha, Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa), Di Trento (para Flores da Cunha, Nova Pádua e Otávio Rocha) e São Marcos (para São Marcos)

A Estação Rodoviária localiza-se no centro da cidade e recebe linhas que interligam Caxias do Sul a Porto Alegre, às principais cidades gaúchas, Curitiba, Blumenau, Florianópolis, São Paulo e outras cidades do Brasil.

[editar] Arte e Cultura

Pietro Stangherlin: Santa Teresa. Catedral de Caxias do Sul
Santa Ceia, de Aldo Locatelli, interior da Igreja de São Pelegrino

Mais preocupados em conquistar um melhor nível de vida, após um início de urbanização cheio de sacrifícios e privações materiais, e em manter uma coesão social, baseada na sua etnia, que fortalecesse seu senso de identidade e valor próprio, os descendentes dos italianos conseguiram construir na inóspita serra gaúcha um município notavelmente próspero materialmente, mas até há pouco tempo não eram, com raras exceções, especialmente interessados pela cultura, salvo em seus aspectos mais folclóricos, ligados à sua ancestralidade e à família, preservando de seus antepassados entre outras coisas a língua, músicas tradicionais e hábitos culinários e religiosos, mas com escassa produção cultural nova.

Altar-mor esculpido por Francisco Meneguzzo no interior da Catedral

Mesmo com tais limitações, registrou-se algum florescimento artístico em especial na arte sacra, com uns poucos santeiros, decoradores e artífices dignos de nota (como a família Zambelli, Francisco Meneguzzo e Pietro Stangherlin), e uma produção poética e literária elementar, mas praticamente nada de música erudita, dança e outras expressões artísticas. Uma menção especial deve ser feita aos fotógrafos Julio Calegari, Giacomo Geremia e Ulysses Geremia, que produziram magnífica obra no campo da retratística de estúdio, por vezes adicionando cores manualmente a aquarela ou óleo sobre as imagens em preto e branco, e uma vasta documentação da evolução da paisagem urbana e dos principais acontecimentos desde o início até meados do século XX. Ulysses Geremia teria um carreira longa, falecendo em 2001 e fotografando até o final da vida.

Momento extraordinário na vida artística de Caxias foi a decoração da Igreja de São Pelegrino pelo insigne pintor ítalo-brasileiro Aldo Locatelli, ocorrida na metade do século XX, formando um conjunto de características monumentais e que representa um dos pontos altos de sua carreira e da pintura mural em todo o país, sendo parada obrigatória para todo interessado em arte.

Na arquitetura encontramos no início do século XX belos exemplares de templos e edifícios religiosos, como a Catedral e a Casa Canônica, de residências aristocráticas para a elite local, como o Palacete Eberle, e de prédios públicos ou semi-públicos como o Clube Juvenil e o antigo Cine Central. Grande parte das edificações antigas desapareceu ao longo do século passado numa duradoura onda de modernizações e demolições irrefletidas, perdendo a cidade as casas de pedra dos imigrantes, suas cantinas e moinhos tradicionais e as típicas residências de madeira, muitas com lambrequins e outras ornamentações na fachada. O mesmo ocorreu com prédios tão únicos quanto inestimáveis como o Cine Teatro Ópera, uma casa de espetáculos com platéia e galerias totalmente construídas em madeira, notável por sua beleza e excelente acústica, que "casualmente" foi consumido por um incêndio quando se estava em pleno debate acerca de seu tombamento. Até 1981 o município só tinha um único prédio tombado, a Livraria Saldanha, sendo que a entrada seguinte na lista municipal de bens imóveis protegidos só se deu em 2001.

Afortunadamente essa situação vem mudando, e hoje Caxias do Sul pode se orgulhar por dar oficialmente um apoio bastante substancial à cultura em seus vários aspectos, e por mostrar, em seus cidadãos, um interesse mais profundo por ela. A Prefeitura Municipal mantém diretamente ou apóia de várias formas uma ampla gama de programas, grupos e instituições culturais, dentre eles:

Além destes existem diversos outros centros comunitários, programas especiais e instituições que fazem parte do sistema oficial da cultura caxiense. A Prefeitura também participa com uma Lei de Incentivo à Cultura, o Fundoprocultura, e concede anualmente diversos prêmios e troféus em várias áreas culturais.

Exposição de arte na Casa de Cultura

Mas não é apenas de patrocínio oficial que a cultura caxiense vive hoje em dia. Atua no município grande número de artistas plásticos, poetas, escritores, músicos e atores, e diversas outras entidades, instituições e empresas privadas contribuem sensivelmente para o fomento à área cultural no município, e dentre estes são presenças marcantes o Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul (NAVI), que agrega muitos artistas plásticos e oferece cursos práticos e teóricos de arte, e a Universidade de Caxias do Sul (UCS), que além do seu curso regular de artes mantém ainda uma Orquestra Sinfônica, museus, uma editora, uma galeria de exposições e uma multiplicidade de atividades de extensão voltadas para a comunidade.

Também a literatura em Caxias do Sul vem ganhando reconhecimento, possuindo uma Academia de Letras e alguns autores, críticos e articulistas nascidos ou atuantes em Caxias, que já conquistaram projeção nacional, como José Clemente Pozenato, autor de O Quatrilho, que ganhou até mesmo uma versão cinematográfica dirigida por Bruno Barreto e foi indicada ao Oscar de Filme Estrangeiro.

A música caxiense se destaca por sua pluralidade de ritmos, contando com diversas bandas que vão desde o Rock ao Samba, além da Orquestra Municipal de Sopros, Orquestra Sinfonica da UCS e das Bandas Marciais tais como a Banda Marcial da Escola Santa Catarina e a Banda Marcial Cristóvão de Mendoza.

[editar] Patrimônio Histórico

Espelhando o crescente interesse da população pela cultura e pela preservação dos testemunhos materiais de sua história, a Prefeitura de Caxias do Sul já conta com um Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural e um bem organizado e atuante Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, administrado pela Secretaria de Cultura [14]. Diversas instituições a ela subordinadas se dedicam a resgatar, estudar, sistematizar, preservar e divulgar relíquias do passado sob várias formas. Dentre elas se destacam:

A Casa de Pedra
Capela do Santo Sepulcro
  • O Museu Municipal de Caxias do Sul, voltado para a preservação dos registros materiais do processo imigratório e civilizatório na região. Instalado na antiga residência Otolini, possui um grande acervo de utensílios dos antigos agricultores, outros ligados a ofícios urbanos variados, uma bela seção de arte sacra e uma multiplicidade de outras peças. O Museu é bem estruturado e oferece uma série de atividades voltadas para a comunidade.
  • O Memorial Atelier Zambelli, que preserva e expõe os remanescentes do estúdio de escultura da importante família de santeiros e decoradores, que atuou não só no município mas em toda a região de colonização italiana.
  • O Museu Ambiência Casa de Pedra, instalado em uma antiga casa dos imigrantes, integralmente construída com pedras rústicas assentadas e rejuntadas com barro, com aberturas em pinho falquejado e janelas afixadas em tijolos artesanais, que resistiu ao tempo e à urbanização acelerada. Foi erguida no fim do século XIX por Giuseppe Lucchesi, e aberta ao público como museu em 1974, mantendo em seu interior o mobiliário que reconstitui o modo vida doméstico do final do século XIX.
  • O Museu dos Ex-Combatentes da II Guerra Mundial, dedicado à preservação da memória e de objetos relativos à atuação do corpo de voluntários caxienses que lutou naquele conflito. Seu acervo conta com cerca de mil itens entre fotografias, documentos, objetos de uso pessoal, armas, uniformes e equipamentos doados pelos ex-combatentes. Também integra o Museu um espaço de convivência para ex-pracinhas.
  • O Monumento Nacional ao Imigrante, construído entre 1950 e 1954 e instalado na entrada de Caxias do Sul, na rodovia BR-116. Inicialmente concebido para comemorar a imigração italiana, tornou-se, pela Lei nº.1801 de 2 de janeiro de 1953, uma homenagem a todas etnias que contribuíram para a formação do Brasil. Inclui um enorme grupo escultórico representando um casal com uma criança, erguido defronte a um obelisco com baixos-relevos, e sobre uma cripta onde funciona o Espaço Cultural Antonio Caringi, assim denominado em homenagem ao autor da escultura, realizando exposições temáticas.

Paralelamente a estas instituições, a Secretaria de Cultura mantém um importante programa de preservação do Patrimônio Histórico dividido nas seguintes seções:

  • Patrimônio Histórico Rural, realizando um inventário de bens de interesse histórico-cultural participantes do processo de civilização baseado na propriedade rural, um levantamento da arquitetura de cunho religioso, a identificação da arquitetura civil de relevância e de elementos da cultura material e imaterial.
  • Projetos de Restauração, concretizando ações de preservação e recuperação de bens listados nas duas seções anteriores, de forma autônoma ou em parceria com empresas e particulares. Dentre suas recentes intervenções constam os sítios da Capela São Roque no distrito de Fazenda Souza, de uma rara edificação em enxaimel na Vila Cristina, e da Capela Nossa Senhora do Rosário, localizada no Loteamento Rosário.

[editar] Caxienses ilustres

[editar] Referências

  1. 1,0 1,1 Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Estimativas da população para 1º de julho de 2008 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2008). Página visitada em 5 de setembro de 2008.
  3. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (19 de dezembro de 2007). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. (em português) Médias e registros - Caxias do Sul, Brasil, The Weather Channel
  6. (em português) http://www.biodiversidade.rs.gov.br/arquivos/1162475144veg_rs.jpg Projeto Biodiversidade RS
  7. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [1]
  8. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [2]
  9. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [3]
  10. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [4]
  11. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [5]
  12. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [6]
  13. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [7]
  14. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [8]
  15. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [9]
  16. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [10]
  17. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul [11]

[editar] Ligações externas

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