Valentim Magalhães
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Antônio Valentim da Costa Magalhães (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1859 — 17 de maio de 1903), foi um jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Índice |
[editar] Biografia
Filho homônimo de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de D. Maria Custódia Alves Meira. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressara em 1877. Ali colabora para os periódicos acadêmicos "Revista de Direito e Letras", "Labarum" e "República", este último de Lúcio de Mendonça. Ainda nesta cidade publicou três obras: "Idéias de Moço", "Grito na Terra" e "General Osório", este último em parceria com Silva Jardim, além de seu primeiro livro, entitulado "Cantos e Lutas". Ali também casou-se, em 1880.
Voltando para o Rio, dedica-se ao jornalismo, dirigindo o periódico "A Semana" (fundado em 1885), que torna-se o veículo dos jovens escritores da época, além da propaganda abolicionista e republicana, sendo um período de marcadas agitações culturais e políticas, estando Valentim Magalhães no proscênio dessas lutas todas. Sobre sua participação, regitrou Euclides da Cunha[1], que o sucedeu na Academia: "A geração de que ele foi a figura mais representativa, devia ser o que foi: fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado a destoar de um estado emocional que não poderia mudar com a mesma rapidez".
Seu grande envolvimento com as causas que defendia não lhe permitiram uma maior produção literária, sendo comum entre os críticos[2] que seu papel foi o de divulgar os demais escritores nacionais.
Ficou célebre pelas inúmeras polêmicas criadas, que redundaram em ataques e desafetos, bem como pelas defesas que dele faziam os amigos.
Durante o Encilhamento, falsa prosperidade econômica que se seguiu à Proclamação da República por obra do seu confrade Rui Barbosa, então feito Ministro das Finanças, Valentim dedicou-se ao lucro rápido, fundando uma companhia e, logo mais, como todos, vindo à falência.
Sobre seu papel na memória futura, então ainda presenciando os reveses, declarou:
- "A princípio fui gênio; mais tarde cousa nenhuma. Hoje César, amanhã João Fernandes..."
[editar] Poesia
Registra Manuel Bandeira[3] que o autor participara, ao lado de Teófilo Dias, Artur Azevedo, Fontoura Xavier e outros, da chamada "Batalha do Parnaso", uma reação ao romantismo, iniciada ainda na década de 1860, e que ganhou força com a agitação promovida por Artur de Oliveira. Este misto de boêmio e intelectual conhecera em Paris os intelectuais parnasianos, e influenciara os autores brasileiros.
[editar] Versos
-
-
-
- Íntimo
-
-
- (domínio público)
-
- Esta alegria loura, corajosa,
- Que é como um grande escudo, de ouro feito,
- E faz que à Vida a escada pedregosa
- Eu suba sem pavor, calmo e direito,
-
- Me vem da tua boca perfumosa,
- Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
- Constelando-o de beijos cor de rosa,
- Ungindo-o de um sorriso satisfeito...
-
- A imaculada pomba da Ventura
- Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
- Aninhada em teu cesto de costura;
-
- Trina um canário na gaiola, inquieto;
- A cambraia sutil feres, sorrindo,
- E eu, sorrindo, desenho este soneto.
[editar] Bibliografia
Sua obra, considerada menor no contexto da literatura brasileira, regista, entretanto, uma curiosidade, por conta de uma errata:
- 1896 – Concluído o romance “Flor de Sangue”, de Valentim Magalhães, que seria publicado pela Laemmert com a mais inusitada das erratas “...à página 285, 4a. linha, em vez de “estourar os miolos”, leia-se “cortar o pescoço”[4]. Seus livros:
- Cantos e Lutas, poesia (1897);
- Quadros e Contos (1882);
- Vinte Contos e Fantasias (1888);
- Inácia do Couto, comédia (1889);
- Escritores e Escritos (1894);
- Bric-à-brac, contos (1896);
- Flor de Sangue, romance (1897);
- Alma, crônicas (1899);
- Rimário, poesia (1899)
[editar]
Academia Brasileira de Letras
Quando da Fundação da Academia, Valentim Magalhães foi convidado para ocupar a cadeiranúmero 7 da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono Castro Alves, cujo nome foi por ele escolhido para o patronato.
A biblioteca do silogeu brasileiro teve início com a doação, feita por Valentim, de seu livro Flor de Sangue, em janeiro de 1897[5].
| Precedido por fundador |
Cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras 1897-1903 |
Sucedido por Euclides da Cunha |
[editar] Fontes e referências
| Notas | |
|
[editar] Ligações externas
| Outros projectos Wikimedia também contêm material sobre este artigo: | |
| Textos fontes no Wikisource | |

